Fala galera!
Tentando incorporar o hábito de ler ao meu cotidiano de uma vez por todas, semana passada comecei a ler um livro que ganhei faz algum tempo (pra não dizer uns três anos), porém, até então, apenas os ácaros habitantes da gaveta do meu quarto estavam lendo. Estou falando de "Além do e-Learning", de Marc Rosenberg. Sinceramente? Nestes seis anos atuando na área já vi muitos caras que são "vendidos" como os "gurus" do e-learning (coisa de americano, não é mesmo?), alguns deles, inclusive, acompanhei em congressos por mais de uma vez e não vi nada demais naquilo que diziam, muitos, inclusive, falavam a mesma coisa por diversas vezes, apenas mudando a metáfora de sua palestra. Porém, conforme estou avançando na leitura das ideias de Rosenberg, venho percebido uma riqueza e clareza muito grande naquilo que ele pensava em meados de 2008 - época em que o livro foi lançado. Ainda estou no início da leitura, mas um tema explorado por ele nesse trecho inicial do livro me inspirou a trazer mais uma provocação para ser discutida e refletida por todos que acompanham esse espaço: " Do que o e-learning é capaz?". Essa é uma pergunta que pode trazer as mais variadas respostas e interpretações, daí a riqueza da discussão que quero propor. Pois bem, para nos ajudar a refletir sobre esse assunto, a seguir trarei um pouco do que Rosenberg diz e também o meu posicionamento sobre o tema.
Rosenberg defende o e-learning como uma ferramenta que vai muito além de uma forma de capacitar os colaboradores de uma organização. Trata-se de uma solução com potencial de interferir diretamente na estratégia da companhia. Mark conta que, geralmente, uma organização passa por três fases ao implantar o e-learning em seu negócio. São elas:
Fase 1: "Precisamos ter e-learning"
Na primeira fase as organizações simplesmente se convencem da necessidade de ter cursos online para oferecer para os seus funcionários e ponto final. Nessa fase, o e-learning se resume a isso. Na minha opinião, essa é uma etapa onde podem ocorrer muitos erros, pois, na sede de construir um amplo repositório de cursos online, as empresas podem acabar comprando "gato por lebre" e colocando a disposição de seus funcionários, cursos que, não necessariamente, contribuirão para a visão estratégica que a organização deseja alcançar.
Fase 2: "Devemos ter sucesso no e-learning"
Após passar pela primeira fase, as organizações passam a perceber a necessidade de avaliar se os cursos online oferecidos aos seus funcionários realmente estão atingindo o sucesso esperado. É nesse momento que a o indicador quantidade sai de cena, sendo substituído pelo indicador qualidade.Nessa fase as empresas passam a fazer um verdadeiro trabalho de investigação e experimentação, com o intuito de avaliar as melhores estratégias de cursos e programas de capacitaçao oferecidos via digital. Na minha opinião essa é uma fase muito rica, é a hora que as empresas realmente começam a se dar conta do valor agregado que o e-learning pode trazer ao seu negócio, porém, nessa fase, na maioria das vezes, as organizações ainda não se deram conta que o sucesso do e-learning representa muito mais do que um curso perfeitamente pedagógico, motivacional, interativo e desafiador.O e-learning transcende essas fronteiras!
Fase 3: "Devemos suportar o ensino no trabalho e a performance ao longo da organização"
A terceira fase descrita por Mark Rosenberg logo no início do livro representa o amadurecimento que todos nós, entusiastas do e-learning, esperamos que as organizações que trabalhamos - ou até mesmo atendemos no papel de fornecedor - alcance. É nessa etapa que as companhias se dão conta que o e-learning é muito mais do que uma ferramenta que disponibiliza objetos de aprendizagem online. Nesse momento, começa a "cair a ficha" de que as soluções de e-learning devem ser mais abrangentes, possibilitando e incentivando o compartilhamento de conhecimento, a colaboração e a melhoria contínua, tudo isso focado na visão estratégica da organização. Na minha modesta opinião, isso apenas comprova que o e-learning será muito mais eficaz se fizer parte de um projeto bem fundamentado de Gestão Estratégica do Conhecimento, onde, o principio básico é que todos na organização, principalmente o dono, acredite que o CONHECIMENTO é o seu principal insumo de transformação para alcançar a visão estratégica da sua organização.
Muito bem, o que acabo de trazer nesse post - e que também é comentado por Rosenberg logo no início do livro - é que na maioria esmagadora das vezes, nós do mercado de e-learning (digo "nós" por que me incluo totalmente nessa), despejamos todas as nossas energias tentando descobrir as melhores tecnologias de aprendizagem, uma nova ferramenta de autoria, uma maneira diferente de produzir um curso, ou um game interativo e acabamos deixando de lado a visão do todo, ou seja, a contribuição estratégica que aquilo que estamos produzindo trará de retorno para as organizações. É importante deixar claro que esta é uma visão minha - totalmente favorável ao que Marc Rosenberg coloca no seu livro - sobre a capacidade do e-learning atuar de maneira estratégica na organização, o que não impede você que está lendo de continuar achando que o e-learning deve ser utilizado exclusivamente como ferramenta de disponibilização de cursos e conteúdos online. A ideia aqui é que você se pergunte: Do que o e-learning é capaz?
Reflita e comente!
Até a próxima!

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